quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

POR UM TRIZ



Comprei na venda
Um vinho verde
E uma navalha de verdade
Aparei a barba e o bigode
Como usam na cidade
Mode ela gostar, quem sabe...
Lavei a minha rede
Podei minha comigo-ninguém-pode
De estimação
Botei flores na janela
Escolhi a lenha pro fogão
E era noite clara de verão
Na cama lençóis de linho
Na sala um espaço pra dança
Nos dedos o velho carinho
No coração a velha esperança
Afinei a voz e o pinho
E as dez cordas da minha viola
Mas os cachorros não latiram
As estrelas não brilharam
Ela não veio.
Nunca veio.
Mais uma vez
Foi por um triz
Bebi sozinho
Cantei sozinho
Quieto e feliz
No meu cantinho.

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