quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

DE COPO E VIOLÃO



Mas
Encontrei essa toada
No meio da estrada
Pra Mirantão
Toada, pipa e passarinho
E de quem pegar na mão

Mas
Pelo sim, pelo não 
Pra gente cantar
Melhor era inventar
Uma nova canção

Mas 
Se a toada é boa
Se esconde no coração
E pula da memória
Em suspiro de solidão

Mas
Resisti à tentação
Procurei um abrigo
Pra não perder um amigo
De copo e de violão

Mas 
Um dia descendo de bonde
Voltou a toada a me procurar
Não sei onde ela se esconde
Voa na chuva, cai pelo ar

Mas
Compreendi então
que o melhor era capturar
Essa toada de Mirantão
Que vinha me azucrinar

Mas
Não coloquei alçapão
Não preparei armadilha
Ela que me botou pilha
E me pegou pela mão

Mas
Agora essa minha toada
Da estrada de Mirantão
Tem rima e compasso
Tem coração

Mas
É coisa de chão de barro
Cigarro que não dá em árvore
Poesia em papel de pão
Batuque em tambor de mármore

Mas
Tem a nossa amizade
Que já cantou no sertão
Que hoje invade a cidade
Com viola e violão

Mas
Podem até me acusar
De plagiar a canção
Não sabem que somos parceiros
De copo e violão

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