Na festa da natureza
Poesia é de quem pegar
O canto rouco do sapo
Também é bom de escutar
A vida só é beleza
Pra quem criou como empresa
Viver de papo pro ar
O canto que vem dos rios
Não é igual ao do mar
O canto do rio é doce
O mar é mais temperado
Só dá refeição completa
No encontro que tem marcado
Com o rio que cumpre a meta
O mar espera na praia
E quando chega o rio
Costuram as rendas das saias
De Iara e de Iemanjá
E desse encontro de deusas
Diabo não senta à mesa
O desafio é de paz
Melodia nasce no ar
Pro passarinho cantar
Palavra é pio de homem
Pra se enturmar
E todo homem tem fome
De amor, de luz e de lar
E das estrelas que somem
Nos olhos de uma morena
Existe toda a beleza
O que a natureza nos dá
Feliz aquele que conta
Com aquele olhar que encontra
O sol e a lua a brilhar
Antes que a chuva caia
Com seu canto perfumado
Vou dando por acabada
A sinfonia das águas
Pois a chuva de tocaia
Aquela que vem de repente
Tem gente que até desmaia
De tanto frio que sente
Só com o chapéu de telhado
E um capote de aguardente
