quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A Morte, a Paixão, o Amor e a Boemia (um samba pro Nelson Cavaquinho)

Todo mundo morre um dia

Seja de que forma for

Morre de pneumonia

Ou de tristeza de amor


Alguns morrem com alegria

Porque a vida era ruim

Outros de melancolia

Não quero morrer assim


O amor de nada vale

Sem paixão pra semear

A paixão não vale nada

Se o amor não germinar


Se uma paixão se acaba

Ponho outra em seu lugar

Pra viver na minha aba

O amor tem que florar


Se não tenho o que comer

Não preciso de esmola

Tenho amigos pra valer

Vida foi a minha escola


Onde a lei é aprender

Não dá pra ficar na cola

Se não sabes a lição

O azar entra de sola


Amigo não é coelho

Que se tira da cartola

Não é truque de espelho

Nem é chiclete de bola


Que se usa e joga fora

Feito um sapato velho

Pois a vida não demora

Em mostrar o revertério


A paixão é o desafio

O amor é o que vale

Amizade é grande rio

Correnteza leva os males


Quem tem paixão não descansa

Quem tem amor anistia

Amizade é esperança

Renovada a cada dia


É por isso que nem ligo

Sei que vou morrer um dia

Pois só vou levar comigo

Paixão, Amor e Boemia

ANEL DE COCO

Minha aliança é anel de coco
Comprada em Parati
Na loja de artesanato
Dos índios que vivem alí

Parentes dos caiçaras
Que um dia viraram mato
Pra dar abrigo às araras
Nas matas virgens de fato

Minha viola aprendi aos poucos
Em vendas de pé de serra
Pandeiro foi na beira do cais

Meu violão é amigo dos loucos
Meu nome é nome de guerra
Mas o meu canto inteiro é de paz

Minha aliança é anel de coco
Da praia da Pedra do Sal
Por isso qualquer batuque
De palma, de muque, de soco
Tem sempre um quê sobrenatural
De terreiro, de missa, de carnaval