segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ERA UMA VEZ UMA CASA


O que uma casa pensa de si

Se nunca foi moradia?

Nunca mais de alguns dias

Nunca mais que um feriado?

O que pensa de si o sobrado

Que passou os natais fechado

E desfilou carnavais alugado

O que pensa de si a varanda

Que mesmo olhando pro oceano

Só tinha uma rede de pano

Para olhar o passar dos anos?

- Por que não nasci quitanda?

Teria talvez a esperança

De um dia virar mercado!

Ou continuar armazém

De secos e molhados

O que pensou de nós aquela casa

Quando a deixamos sozinha

Do dia pra noite

Batemos asas como andorinhas

Em busca de outro verão

Virou só uma fotografia

Solar, do que não mais existe

Perdeu o mar na janela

O luar na soleira da porta

Ela nem é mais ela

E ninguém mais se importa

Como se casa não tivesse coração

Hoje eu descobri, muito triste

Que coração, ela tinha

Nós é que não.

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