sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O FALSO SERTANEJO

Toda vez que eu te vejo
Só fico observando
É flor que vai passando
Não posso nem cheirar
Você faz que não escuta
A canção do meu desejo
E vou procurar nas frutas
O doce do seu beijo

Mas se você me olha
Sinto logo um relampejo
O meu coração se molha
É bom
Feito o queijo
Que eu faço na fazenda
E entrego lá na venda
Prá comprar cachaça e sal

Eu só vim nesse lugar
Passar fim de semana
O olhar dessa cigana
Foi que me fez ficar
Passei graxa no sapato
Perfume de alfazema
Mas aqui não tem cinema
Só televisão e mato

Já sei cuidar do gado
E a hora da colheita
Mas não sei como colher
O amor
Da rainha desse lindo lugarejo
Sou um falso sertanejo
Que um dia se apaixonou.

MANHÃ

Cama de palha

Acordar cedo

Fazer a massa do pão

Recolher o leite

Tempo de colheita

Cortar o pão

Ferver o leite

Recomeçar o trabalho

Caminho de barro

Entre a plantação

Sol e chuva

Cantorias

Trancado no carro

Sonhos de verão

Carimbos

Azia

Dormir cedo

Madrugada fria

Cama de espuma

Solidão.

SOBRE O DUPLO SENTIDO DAS FLORES

A natureza é a mãe da ciência

Qualquer semelhança

Com atos ou retratos

Palatos ou olfatos

É armadilha da lembrança

Mera coincidência