E continua pagando
O imposto de renda
Você não se toca
E continua bebendo
Cerveja choca
Você não se grila
E continua guardando
Em sua vez na fila
Você não se aborrece
E continua botando
Sua fé nessa prece
Você não se importa
E continua afiando
A faca que te corta
Você não se manca
E continua comprando
Seu futuro na banca
Você não se abala
E tua sopa ficando
Cada vez mais rala
Você nem desconfia
E continua querendo
Entrar pra diretoria
Você não tem jeito
E continua abafando
Gritos no teu peito
Você não se amola
E continua cantando
O samba da escola
Você não se ofende
E continua invejando
Quem te prende
Você não se agora
E continua guardando
Quem te joga fora
Você não se avexa
E continua se abrindo
Para quem te fecha
Você não se entende
E continua comprando
De quem te vende
Você não se irrita
E continua esquentando
A banha que te frita
Você não explode
E continua sorrindo
Pra quem só te fode
