quarta-feira, 30 de abril de 2008

ROCKBOX

Eu sou um grande lutador de boxe

Eu quebro a cara de quem pisa no ringue

Como naqueles filmes da 20 Century Fox

Não mexa comigo, não brinque

Eu sou mesmo invocado como um sargento

E quando fico nervoso eu quero ver sangue

É minha água benta, é meu pagamento

É meu bangbangbangbangbangbang

Quando piso na arena

Tua vida é pequena

Quando piso no palco

Canto sempre mais alto

E se você não me puxar o saco

Eu te ponho a nocaute

Tua pele será meu casaco

Teu sangue será meu esmalte

BAIÃO À BOCA PEQUENA

Havia um barco ancorado no meu porto

E na primeira tempestade ele avoou

Foi como um rio no meu peito que secou

Mãe, me dá mais um copo

Dessa cachaça maluca

A felicidade não me deixa mais viver

Eu quero é liberdade pra pensar e pra dizer

Mas preciso de um amor pra me prender

Menina pára esse barco

Já naufraguei na sua rota

Esse mundo é muito amargo

Faz favor abre essa porta

Não rasgue mais meu peito largo

Que esse canto retalhado

À queima roupa no meu peito

É sinal de que estou feito

É sinal que dou trabalho

Não me serve de telhado

Muito menos de agasalho

Mas estanca o navalhado

E sossega o teu chocalho

De agora em diante

Quando eu canto

É pra matar alguém

Que me pegou de jeito

E pro meu espanto

Me matou também

Afaste à boca pequena

O olhar dessa morena

NO BAR

Volto a escrever no bar
Em folhas laminadas
De um maço de cigarros
Que se transformam em lama
Nos meus pulmões
Recusei o convite de uma solitária
Como eu
Que estava sem opção
Nessa noite fria e vazia
Talvez fosse boa pessoa
Como eu
Mas ainda não aprendi
A perdoar as pessoas desesperadas
Os garçons sobrevoam as mesas
Como urubus vestidos de pinguins
Ao lado falam de antidistônicos
Como se pudessem enganar a morte
Acho até que eu tenho sorte.