Eu sou um poeta
Não tenho passado
Nem tenho futuro
Sou iluminado
E vivo no escuro
A calma me inquieta
Vivo do sol
Do vento, das chuvas
Das mulheres que imagino
Estátuas nuas
Ou vestidas de linho fino
Dedos vivos nas luvas
E pernas meio quentes
Olho a cidade
Da minha janela
Penso muito mais nela
Do que ela em mim
Tudo é meio assim
Sombrio, ardente, pateta
Sou mesmo o poeta
Ou tenho alma de chocolate?
Eu sou peão dando xeque-mate
A vida nasce e morre
No poente.


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