quinta-feira, 19 de junho de 2008

COBRANÇA

Você não se emenda

E continua pagando

O imposto de renda

Você não se toca

E continua bebendo

Cerveja choca

Você não se grila

E continua guardando

Em sua vez na fila

Você não se aborrece

E continua botando

Sua fé nessa prece

Você não se importa

E continua afiando

A faca que te corta

Você não se manca

E continua comprando

Seu futuro na banca

Você não se abala

E tua sopa ficando

Cada vez mais rala

Você nem desconfia

E continua querendo

Entrar pra diretoria

Você não tem jeito

E continua abafando

Gritos no teu peito

Você não se amola

E continua cantando

O samba da escola

Você não se ofende

E continua invejando

Quem te prende

Você não se agora

E continua guardando

Quem te joga fora

Você não se avexa

E continua se abrindo

Para quem te fecha

Você não se entende

E continua comprando

De quem te vende

Você não se irrita

E continua esquentando

A banha que te frita

Você não explode

E continua sorrindo

Pra quem só te fode

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