terça-feira, 29 de abril de 2008

MULHERES DE PAPEL (ou Alguém Tem Um Samba Sobrando?)

Ouço um disco de jazz
Que ganhei de um amigo
Que já foi meu irmão
Vejo a conta da light
Custa caro a escuridão
Deixo a porta fechada
Porque tenho vergonha
De estar tão sozinho
Com esse olhar idiota
E esse terno marrom
Que nunca amarrota
Triste é acabar o meu uísque
Triste é ter que amar
Essas mulheres de papel
Triste é ver que o amor
Ainda existe
Triste é te encontrar
Me procurando
Prá poder dormir sem medo
Triste é ter te contado
O meu segredo
Leio um livro de contos
Que ganhei de um irmão
Que já foi meu amigo
E hoje vive dizendo
Que a vida é um grande perigo
Só pensando em você
Vou gritando calado
Com meu nariz entupido:
- Maldito sereno condicionado
Essa noite eu só queria
Te passar meu resfriado

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