quarta-feira, 30 de abril de 2008

BAIÃO À BOCA PEQUENA

Havia um barco ancorado no meu porto

E na primeira tempestade ele avoou

Foi como um rio no meu peito que secou

Mãe, me dá mais um copo

Dessa cachaça maluca

A felicidade não me deixa mais viver

Eu quero é liberdade pra pensar e pra dizer

Mas preciso de um amor pra me prender

Menina pára esse barco

Já naufraguei na sua rota

Esse mundo é muito amargo

Faz favor abre essa porta

Não rasgue mais meu peito largo

Que esse canto retalhado

À queima roupa no meu peito

É sinal de que estou feito

É sinal que dou trabalho

Não me serve de telhado

Muito menos de agasalho

Mas estanca o navalhado

E sossega o teu chocalho

De agora em diante

Quando eu canto

É pra matar alguém

Que me pegou de jeito

E pro meu espanto

Me matou também

Afaste à boca pequena

O olhar dessa morena

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